Passeio sobre o antigo ramal ferroviário de Mora - Troço compreendido entre Arraiolos e Pavia

Organização:  Obeta - Paulo Mazzetti

Data:  20 de Janeiro de 2008

Local:  Alentejo, Arraiolos e Pavia

Relatório:

 


Caros amigos,


Passado o período das festas de fim de ano alguns elementos da Obeta nos quais me incluo resolveram iniciar as actividades ao ar livre no novo ano com mais um passeio integrado na série “Por entre trilhos abandonados”.

Desta vez rumamos para a bonita vila de Arraiolos no Alentejo, para realizar em BTT um passeio sobre o trilho que serviu em tempos de leito ao antigo ramal ferroviário de Mora.
A linha á muito tempo que desapareceu mas o trilho e os edifícios abandonados das estações ainda lá se encontram.

O troço escolhido começava no edifício da antiga estação de Arraiolos, o qual fica na periferia da vila e está actualmente votado ao abandono. A partir daí o caminho segue para Norte em direcção a Pavia e depois inflecte para Noroeste em direcção a Mora.

Alinharam neste passeio, o Paulo Mazzetti (o organizador), eu, António Campos, o meu sobrinho André, e o nosso amigo Tozé.

Chegamos a Arraiolos já perto da hora de almoço. Depois de retirarmos as 4 bicicletas do jipe do Paulo, equipámo-nos e demos início ao passeio, dirigindo-nos então para o edifício da antiga estação.

Inicialmente o caminho percorrido não estava em muito bom estado mas em breve tornava-se numa autêntica pista, permitindo um andamento muito rápido.

De vez em quando, apareciam umas cancelas que, como é costume, tínhamos que abrir para passar e que depois voltávamos a fechar.
Aqui e ali deparávamo-nos com cegonhas que fugiam à nossa aproximação.

Toda esta zona estava muito verde, mas também tinha muitas poças e pequenos lagos, visto que tinha chovido recentemente. E tanta água viria de facto trazer-nos problemas.
Com efeito, junto a um dessas cancelas a lama era tanta que foi difícil não enterrar os pés, mas lá acabamos por passar. No entanto, um pouco mais á frente, junto ao antigo apeadeiro abandonado de Vale de Paio, não conseguimos evitar apanhar o maior lamaçal do passeio, já que por todo o lado a lama era uma constante.

Escusado será dizer que ficamos todos com os sapatos em mísero estado!
Mas não é à toa que chamam a esta actividade BT…

Depois de atravessar-mos este troço mais difícil o trilho voltou a ficar seco, e pudemos então avançar bastante e a bom ritmo.

Chegamos no entanto a um ponto em que deparámos com o caminho totalmente interrompido por causa de uma vala que o cortava transversal - mente e possuía uma profundidade não inferior a 1 metro. Para lá desta ainda se seguia uma cerca em arame farpado, e por trás um monte de troncos e arbustos com uma altura acima das nossas cabeças!

Era bastante obvio que quem colocou ali aqueles obstáculos não queria mesmo que avançássemos. E tudo isto porque o caminho atravessava uma zona de caça exclusiva…

Independentemente da questão da pouca legalidade da coisa parecia mesmo impossível passar, mas resolvemos não desanimar. Voltar para trás estava fora de questão!
De modo que, com muito esforço lá conseguimos passar a vala, saltar por cima da vedação, escalar o monte de troncos e descer para o outro lado. E tudo isto transportando as bicicletas ao ombro. Foi obra !

Entretanto o André, o meu sobrinho, tentou encontrar uma forma de passagem alternativa, o que também conseguiu. No entanto foi igualmente obrigado a escalar algumas vedações transportando a bicicleta.

Depois de termos vencido este obstáculo, montamos de novo nas bicicletas e retomamos o caminho. Infelizmente apenas para nos voltarmos a deparar com o mesmo problema algumas centenas de metros depois, já na outra extremidade da propriedade.
Novamente, com esforço e engenho, lá conseguimos passar mais este obstáculo.

Após estas peripécias, o caminho retomou então o curso normal, e os quilómetros sucederam-se, não tendo havido mais problemas dignos de nota até atingirmos a antiga Estação de caminhos-de-ferro de Pavia.

A tarde já ia avançada quando lá chegámos e tivemos então que decidir se continuávamos até Mora, ou se dávamos por terminado ali o passeio.
Acabamos por escolher uma terceira solução que foi a de regressar pela estrada montados nas bicicletas.

Esta solução acabou por não se revelar a melhor porque, com o cansaço já acumulado (já tínhamos feito alguns valentes quilómetros até chegar a Pavia e ultrapassado alguns obstáculos) e com as subidas e descidas da estrada, o caminho parecia nunca mais chegar ao fim e Arraiolos já se assemelhava a uma miragem longínqua e inalcançável!

Quando finalmente entramos na povoação, já era noite cerrada e estávamos mortos de cansaço.
Com a ida e o regresso tínhamos acabado por fazer mais de 40 km o que, para malta que habitualmente não costuma fazer passeios tão grandes, foi de facto um feito!

Dado o adiantado da hora e como a fome já apertava, decidimos jantar pela vila depois de termos arrumado toda a tralha no carro.
E foi de facto uma boa opção porque comemos (e bebemos) muito bem !

 

Saudações radicais

         António Campos

 

 

 

(Textos de António Campos adaptado e comentado por Paulo Mazzetti)