Descida do Côa em kayak

Organização:  Obeta - Paulo Mazzetti

Data:  28 e 29 de Abril de 2007

Relatório:

 

Caros amigos,


Anunciado como um dos grandes eventos deste ano, organizado pela OBETA, a descida do rio Côa em autonomia, prometia ser uma das nossas maiores aventuras. No entanto, surgiram alguns imprevistos, que obrigaram a certas alterações, tornando este passeio um pouco menos radical que o previsto. Contudo, apesar de ter sido um pouco diferente do que estava programado, posso assegurar-vos que teve muitas emoções fortes e que a beleza deste rio não nos desiludiu em nada, muito pelo contrário.

1º dia (Sábado)

Logo pela manhã eu, o Paulo, a Paula, o Guilherme e a Ana, partimos em direcção ao Sabugal, para 2 dias de canoagem.
O objectivo era descer uma parte do rio Côa (18 km), carregando tendas, sacos-cama e a comida, em sacos impermeáveis, e dormindo pelo caminho.
Nos 2 carros, seguiam dois kayaks bilugar e um kayac individual, que alugámos ao grande canoísta Costa Mota, juntamente com todo o restante material necessário:
- Pagaias, coletes, apoios para as costas, e alguns sacos impermeáveis.

Contudo, quando chegámos ao Sabugal, chovia e trovejava, pelo que decidimos ir almoçar por ali num restaurante, e repensar melhor o programa.

Decidimos então, avançar com o passeio de canoagem, mas colocando primeiro um dos automóveis no local onde prevíamos chegar no final do dia, para que, no caso da continuação do mau tempo ou adiantado da hora, pudéssemos procurar alternativa de alojamento em vez de acamparmos.
Assim, fomos deixar a pick-up do Paulo a Badamalos, aldeia situada aproximadamente a 7 km do ponto de partida, dirigindo-nos depois para a pequena povoação de Rapoula do Côa, onde nos equipámos e demos início a esta aventura.

O rio Côa, não estava com um grande caudal, mas pensamos que tinha o suficiente para o tornar navegável. Ficámos igualmente maravilhados com a exuberância da vegetação ao longo do rio.

Logo de início, encontrámos alguns açudes, que embora fossem baixos e teoricamente fáceis de passar, tivemos que os contornar pela margem, devido á quantidade de pedregulhos que possuíam e que tornavam inviável a nossa descida montados nos kayaks.

À medida que avançávamos, o troço do rio tornou-se cada vez mais difícil, cheio de zonas com muitas pedras, muita vegetação, e pouca água, daqui resultando que encalhávamos os kayaks muitas vezes.
Acresce que, a cada 100 metros que navegávamos normalmente, surgia mais um açude, que, tal como os anteriores, não era navegável.
A ultrapassagem destes obstáculos levou-nos a perder muito tempo, e quando chegámos a uma pequena mas bonita praia fluvial, situada perto da aldeia de Vale das Éguas, já o sol estava prestes a colocar-se no horizonte.

Após o Paulo ter verificado a nossa posição, mediante consulta ao GPS, verificamos com grande decepção que só havíamos feito metade do caminho previsto.

Como já não íamos conseguir chegar com luz ao local onde tínhamos deixado o carro, decidimos acabar por ali o primeiro dia de canoagem e regressar a pé ao local da partida, Rapoula do Côa, porque era o que ficava mais próximo.

Assim encetamos uma caminhada de 3,5 km ao cair do sol, um “passeio” em que só não “morremos de frio” porque tínhamos vestidos os fatos de neoprene, e caminhávamos com um ritmo rápido, o que nos permitia manter a temperatura corporal.

Chegámos já de noite. Depois de termos entrado no carro do Guilherme que ali tinha ficado estacionado, dirigimo-nos logo de seguida para Badamalos a fim de resgatar o automóvel do Paulo, que lá tinha ficado.

Ao chegarmos junto do veiculo verificamos que nos tinham deixado um bilhete sobre o vidro da pick-up. Era da autoria de um dos amigos do canoísta que nos tinha alugado o material.
Com efeito ambos faziam parte de um grupo de canoagem designado como Tuaregue Kayak clube, cujos elementos iam realizar igualmente a descida do rio Côa, mas só no dia seguinte.

Assim, após encontrar-mo-nos todos ao jantar , decidimos então fazer a descida em conjunto no dia seguinte.
Por esse motivo, a seguir ao jantar, ainda tivemos que ir buscar as canoas ao local onde as tínhamos deixado, A aldeia de Vale das Éguas, para que no dia seguinte pudéssemos estar no local previsto da partida á hora combinada.

Quando terminamos esta tarefa já era quase meia-noite. Por esse motivo bem como devido aos novos planos feitos para o dia seguinte e – confessamos o cansaço já acumulado - inviabilizavam qualquer pretensão de acampamento que tivéssemos.
Não nos restou portanto qualquer alternativa que não fosse procurar alojamento em residencial próxima.
Felizmente que no restaurante nos tinham recomendado uma pensão em Alfaiates, vila próxima do local onde estávamos, e foi para lá que nos dirigimos logo de seguida para uma boa noite de sono.

2º dia (Domingo)

Depois de uma noite efectivamente bem dormida, ao qual se seguiu um pequeno-almoço retemperador seguimos de novo para a povoação de Badamalos, para nos encontrarmos com os restantes canonistas, iniciando aí o passeio deste segundo dia.
No entanto, antes de nos fazermos á agua, o Paulo e o Guilherme ainda foram a Seixo do Côa, a vila onde iríamos terminar o passeio, para aí deixar um dos veículos.

O rio Côa na zona a jusante de Badamalos já apresentava maior largura e caudal.
Os troços situados entre cada açude também tinham maior cumprimento.
Por todos estes motivos a progressão era mais rápida do que aquela que tínhamos conhecido na véspera.

Uma palavra de realce para elogiar a beleza deste rio; as aguas cristalinas, o fresco da vegetação; tudo ajudava a compor um quadro de grande sedução.

De vez em quando, ainda aparecia um ou outro açude, e alguns deles eram bem difíceis, pelo que em breve, quase todos nós acabamos a tomar um bom banho.
Só eu com alguma sorte e beneficiando do meu peso leve, consegui escapar ás águas frias do Côa   ( Nota do WebMaster:   Felizardo...)

A meio do percurso cruzamos a ponte medieval de Sequeiros uma ponte que na idade média chegou a delimitar a fronteira entre Portugal e Castela.
Logo de seguida atravessamos uma zona com tanta vegetação, que apesar de termos feito um autentico “slalom” para a tentar evitar, foram muitos os que não conseguiram evitar o “encalhanço”.
Este era normalmente seguido por banho forçado á medida que as pessoas se tentavam libertar daquela situação!

Após muito pagaiar e já com vários açudes atravessados, chegámos finalmente a Malhada Sorda, local onde o nosso passeio terminou.

De louvar a participação dos nossos amigos do Kayak Clube que sendo mais experimentados nestas andanças do que nós, não deixaram sempre de nos ajudar a atravessar alguns obstáculos mais complicados, para além de terem pautado o seu ritmo de descida pelo nosso, que era mais lento.

Após o arrumo do material nos automóveis e a mudança de roupa ainda nos restou algum tempo para visitar o bonito castelo de Vilar Maior, encetando em seguida o regresso a Lisboa.
Pelo caminho ainda efectuamos uma paragem estratégica em Castelo Branco para cear.

Conclusão

Apesar das alterações de planos à última da hora, ao facto de o rio ter apresentado pouco caudal (especialmente no 1º dia), e os vários açudes que tivemos que ultrapassar, o balanço final ainda é claramente positivo!
É que o rio Côa tem paisagens deslumbrantes, a água é muito limpa e toda a envolvente paisagística é bastante bela.
A juntar a isso ainda nos divertimos bastante e comemos muito bem.
Que mais se pode desejar?

 

 Saudações radicais

         António Campos

 

 

 

(Texto de António Campos livremente adaptado e comentado por Paulo Mazzetti)