Passeio Pedestre "Pelos caminhos do Monte da Ordem"

Organização:  Obeta - Paulo Mazzetti

Data:  25 de Abril de 2007

Relatório:

 

Caros amigos,


Pela segunda vez este ano, estivemos no coração do Alto Alentejo, mas desta vez para realizar um passeio pedestre de cerca de 12 km, circular, organizado pelo Paulo Mazzetti numa zona de montado situada a norte de Pavia e a sul da barragem do Maranhão.
Aderiram a esta aventura, eu, o Jacinto e a Olga, o Manuel e a Paula Santos, o Vítor e a Ana, o Paulo e a Paula, e a Maria de Jesus.

Encontrámo-nos todos em Pavia, por volta das 11.30 H e, após uma breve viagem até ao ponto de início do passeio, equipámo-nos, e demos início à caminhada.

Depois de um início sem qualquer dificuldade, caminhando por trilhos de terra batida, debatemo-nos com um problema que provocou vários enganos no percurso: as cartas topográficas utilizadas para marcar a rota a seguir estavam muito desactualizadas e muitos dos caminhos seguidos não constavam delas.

Assim tivemos que “improvisar” deixando algumas vezes os trilhos e entrando pelos prados a corta-mato. Isto provocou alguns problemas na passagem de diversas vedações que delimitam os terrenos das quintas e impedem os animais de fugirem.

Assim foram várias as situações em que, por ausência de um portão que estivesse a uma distância razoável, o grupo era obrigado a saltar por cima de vedações de arame farpado, ou a passar por baixo delas.

Estas situações como calculam, criaram cenas engraçadíssimas, com toda a gente a rir das figuras que fazíamos…

As planícies alentejanas, que na realidade ostentavam pequenos montes e ondulações, apresentavam um tom ainda muito verdejante mas que era pintalgado aqui e ali de amarelo e branco, devido aos malmequeres que irrompiam do solo numa celebração da pujança da primavera….

De vez em quando, passávamos por pequenas ribeiras, e por lagos de águas represadas, que davam um ar paradisíaco a estas amplas paisagens a perder de vista.

A certa altura atravessámos uma zona onde avistámos muitas cegonhas. Umas estavam nos ninhos, outras em voo. Houve até quem conseguisse contar seis ao mesmo tempo no ar a sobrevoar-nos.

Ao longo do passeio fomos passando por pequenas quintas e ruínas de antigos montes, mas ainda no início do passeio atravessamos uma moderna herdade, onde o parque de tractores e outro material agrícola foi objecto de admiração por parte dos nossos amigos Olga e Jacinto.
Porque seria ?

Por volta das 13.30 h resolvemos parar no cimo de um monte para almoçar.

O panorama que dali se observava era soberbo. Á nossa volta só se avistavam prados verdejantes cobertos por flores campestres e semeados por sobreiros.

Nem uma única casa à vista!

Após o almocinho, que foi basicamente constituído por sandochas, sumos, agua e fruta que levávamos connosco retomamos então o caminho.

Durante o percurso fomos atravessando alguns prados onde pudemos observar manadas de vacas que, apesar do seu ar pacífico e pachorrento, conseguiam inspirar algum receio entre os elementos mais “urbanos” do grupo, pouco habituados a “close-ups” com estes adoráveis bichinhos…

Já próximo do final da nossa aventura, tivemos que atravessar um pequeno ribeiro perto do qual se concentrava uma grande quantidade de vacas que por ali se encontravam a pastar.

Acontece que a tarde já ia avançada e os animais pretendiam regressar aos estábulos. Mas para isso tinham também que cruzar o referido ribeiro.
Gerou-se assim um conflito de interesses entre nós e as vacas !
Como tomamos a iniciativa de atravessar em primeiro lugar o riacho, as vacas ficaram expectantes a aguardar a nossa passagem, num posição já muito próxima de nós. E á medida que as pessoas iam passando os referidos animais também se iam aproximando do ribeiro.

Foi nessa altura que o Paulo resolveu na brincadeira soltar um grito de aviso indicando que as vacas já estavam demasiado próximas!

Isso pareceu desencadear então o pânico entre vários elementos do grupo que estavam na altura a atravessar o riacho, os quais desataram então a correr já sem qualquer preocupação de saber onde pousar os pés para evitar molhá-los na travessia!

Uma cena simultaneamente hilariante e caricata que muito divertiu os outros elementos do grupo, entre os quais se incluiu o autor da brincadeira…

(Nota do WebMaster: Estes burgueses citadinos constituem de facto um espectáculo inolvidável quando resolvem ir passear para o campo e se vêm de súbito confrontados com situações que fogem á rotina do dia-a-dia…

Enfim, acalmados os ânimos e reposta a tranquilidade, retomámos então o resto do percurso. E trinta minutos depois chegávamos ao local onde se encontravam os nossos carros, terminado assim esta caminhada.

Ainda tivemos tempo neste dia para visitar em seguida o recém inaugurado fluviário de Mora, uma espécie de mini-oceanário construído no Alentejo e vocacionado para a exibição de diversos exemplares da fauna piscícola que existe nos nossos rios.
Trata-se de uma exposição muito interessante que pretende reconstituir todos os ecossistemas que existem ao longo do percurso que um rio faz, desde a sua nascente até à foz.

Recomenda-se a visita, apesar de não ser necessário muito tempo para observar todos os peixes, batráquios, lontras, e demais espécies que este local alberga.

A não perder também uma visita ao parque da natureza onde se situa o fluviário e que por si só constitui uma óptima zona de lazer e recreação.

O dia terminou com uma grande jantarada de grelhada de porco preto num restaurante situado em Mora, a qual estava uma maravilha, e que marcou da melhor maneira o fim deste nosso evento.

 

 Saudações radicais

         António Campos

 

 

 

(Texto de António Campos livremente adaptado e comentado por Paulo Mazzetti)