Descida do rio Alva em Kayak

Organização:  Transserrano

Data:  1 de Abril de 2007

Relatório:

 

Caros amigos,


De todos os rios em que já fizemos canoagem, o Rio Alva é sem dúvida aquele que mais emoções fortes nos proporciona, quer pelos seus muitos rápidos, quer pela quantidade de quedas de água e açudes que contem.
Foi com essa perspectiva, que eu, o Paulo e a Paula, regressámos mais uma vez a este rio, onde já tínhamos estado por duas vezes. A ideia era fazer um terceiro percurso que ainda não havíamos realizado.

Após nos encontrarmos em Coja com elementos da organização (a Transserrano) e com dois jovens que também vinham fazer o passeio, dirigimo-nos para o ponto de partida no rio, e foi aí que reparámos que afinal já tínhamos descido este troço do rio no ano passado.

O percurso que nos faltava era o que eles chamam de 2ª parte, e não a 3ª como pensávamos. Esta que íamos agora repetir era no entanto, o troço mais difícil e mais técnico do rio, com mais de oito açudes e diversos rapidos.
Assim, e mantendo apesar de tudo o entusiasmo inicial, equipámo-nos, entrámos para os kayaks bilugar, e demos início ao passeio.
Como éramos em número impar, eu partilhei um kayak com o monitor que nos acompanhava na descida.

O tempo, embora um pouco frio, estava excelente, e o sol brilhava apenas com algumas nuvens aqui ou ali, o que nos animava bastante.

Logo após o início do passeio, tivemos que descer um primeiro açude, grande em tamanho, mas com uma ligeira inclinação em rampa.

Uns atrás dos outros fomos descendo, e os outros dois jovens que nos acompanhavam foram logo ao banho, mas recuperaram rapidamente, retomando logo de seguida o passeio..

Ás partes mais calmas do rio, sucediam-se então diversos rápidos e açudes. Num deles foi a vez do Paulo e da Paula irem à água. Ainda tentaram repetir a descida, subindo com o kayak pela margem, mas não conseguiram de novo equilibrar a embarcação durante a queda.

Ao longo do passeio e nas zonas mais calmas tivemos a oportunidade de avistar algumas garças, mas que logo fugiam à passagem dos barcos.

Após muitas pagaiadas, e várias outras pequenas quedas de água, chegámos então ao último açude do percurso, o mais alto e talvez o mais difícil do ponto de vista técnico.

Eu e o monitor fomos os primeiros a descer e asseguro-vos que o kayak, impelido pela força da corrente e pela altura da queda, embateu com tanta força na água após a queda, que a proa do barco - a qual estava perto do local onde me sentava - foi rapidamente inundada tendo eu sido logo projectado para fora do barco.
No entanto consegui nadar rapidamente para a margem.

Seguiram-se então os dois jovens que nos acompanhavam nesta aventura. Novamente o kayak se virou enviando os ocupantes para um banho de água fria.

Finalmente foi a vez de o Paulo e a Paula descerem o açude.
Começaram muito bem, mas ainda antes do kayak atingir de novo a superfície da água, começou a voltar-se atirando-os igualmente ao rio.
A Paula, que ia à frente, foi também projectada para fora do barco mas rapidamente se agarrou a este, que estava virado, mas a flutuar.
O Paulo no entanto caiu mesmo junto ao turbilhão que se formava perto da queda de água, tendo sido arrastado para o fundo do rio. E tal era a força da corrente que mesmo com o colete salva-vidas, por duas vezes tentou vir á tona, e em ambas as ocasiões acabou por ser de novo arrastado para o fundo!
Entretanto, eu avisava o monitor, que de pronto se lançou à água para prestar auxílio.
Mas à terceira tentativa, o Paulo, com grande presença de espírito, deu primeiro umas braçadas para se afastar da zona da queda de água, antes de voltar à superfície, e finalmente reapareceu à tona são e salvo
(Nota do WebMaster: nestas situações realmente não vale a pena tentarmos lutar contra a corrente pois acabamos por ficar cansados correndo o risco de nos afogar-mos).
Que grande susto para todos nós, menos para a Paula, que nem se deu conta da situação pois, agarrada ao barco, lutava contra a corrente, para tentar também chegar à margem!

E foi assim com estas emoções fortes que terminou esta aventura.
O Rio Alva lá ficou, aguardando o nosso regresso. (e temos que voltar para fazer o tal segundo percurso…)

 

 Saudações radicais

         António Campos

 

 

 

(Texto de António Campos adaptado por Paulo Mazzetti)