Caminhada dos duros na Serra da Estrela

Organização:  OBETA - Orlando Ribeiro Lopes

Quando:  27 e 28/05/2006

Relatório:

 

Caros amigos,


Anunciado como “o passeio dos duros”, esta jornada de aventura na Serra da Estrela, organizada pela OBETA (mais exactamente neste caso pelo nosso companheiro Orlando Lopes), prometia um fim de semana de grande convívio com a natureza, com um grande e difícil percurso pedestre que incluía uma noite passada na Serra na companhia das estrelas.

Aceitaram este grande desafio, eu (António Campos), o Paulo Mazzetti e a Paula, o Orlando e a Maria João, o Manuel, a Jesus, e o Guilherme, tendo todos nós partido para a Serra no Sábado de manhã bem cedinho.

 

1º dia (Sábado)

O objectivo era deixar um carro na Torre, seguir até Loriga, e com mochilas mais pequenas, partirmos desta Vila que fica a cerca de 700 metros de altitude, e subir a serra pelo Vale de Loriga até chegar à Torre, como sabem situada a cerca de 2000 metros de altitude.
Ou seja subir um desnível de mais ou menos 1200 metros!
Depois com mochilas maiores, carregadas com tendas e sacos camas, fazer um segundo percurso de cerca de 8 km até um local paradisíaco junto a uma ribeira, para aí dormir. No dia seguinte, o passeio continuava, acabando em Folgozinho no famoso restaurante “O Albertino” para recuperar forças.

Mas a viagem com muitas paragens, atrasou a chegada à Serra, e portanto começámos o programa com um grande atraso (um problema já antigo nos eventos da OBETA e que há que reflectir como resolvê-lo !).

Tudo começou com uma subida bastante íngreme num estradão de terra batida, com bastante calor, tudo agravado pelo facto de as mochilas estarem ainda muito pesadas com os comes-e-bebes, o que foi muito duro e colocou á prova a nossa determinação.

O caminho foi depois encurtando, transformando-se num trilho paralelo ao espectacular Vale de Loriga. Este vale bastante cavado e onde o verde da vegetação se mistura com o cinzento do granito, é de uma beleza ímpar, a lembrar um pouco - segundo alguns (salvaguardada a dimensão) - os vales dos Pirinéus.

Aqui e ali, parávamos um pouco para descansar e petiscar qualquer coisa, para depois retomar o caminho sempre, sempre a subir.
O trilho agora ia confluindo lentamente para o vale e cada vez se tornava mais difícil, com os caminhos de terra a darem lugar á subida de rochas.
A certa altura a Maria de Jesus teve uma caímbra, mas o problema foi prontamente resolvido com um breve descanso e uma lata de Isostar!

Retomado o caminho que entretanto já tinha confluído com o vale, chegámos então a uma espécie de anfiteatro, rodeado por todos os lados de altos penedos graníticos, enquanto que no solo cá em baixo, corria uma ribeira de água transparente.

Depois de admirarmos a magnífica paisagem, e de saltarmos o ribeiro para cá e para lá, começámos a dura subida, ainda por um trilho mas de rochas e penedos, e quando atingimos o ponto mais alto, avistámos o resto do vale e ao fundo, um enorme muro de cimento de uma barragem.

Após percorrermos a parte mais plana deste muro, demos então início a uma subida completamente louca, não pelos trilhos que nos tinham guiado até aí, mas atalhando a pique pela montanha acima, numa tentativa de atingir a Torre mais rápidamente.

A caminhada deu então lugar mais a uma escalada, ultrapassando os vários penedos que se sucediam sem fim.

Aqui tenho que destacar a Paula, que tal cabrita montanhesa, surpreendeu pelo à vontade nas rochas muito inclinadas, enquanto os nossos dois elementos mais atléticos, (Hum ?!) o Guilherme e o Orlando ficavam para trás a ajudar o restante pessoal. O Guilherme ia ajudando a Jesus que não apreciou muito esta parte, enquanto que o Orlando ia tentando não ficar já viúvo.

Depois de muito penar, lá chegámos ao cimo e finalmente conseguimos avistar a Torre ao longe. No entanto, há medida que caminhava-mos, pudemos verificar que entre nós e ela havia um lago que tinhamos ainda de contornar.

Esta caminhada parecia que nunca mais acabava e o dia já se aproximava do fim!

Depois de contornar-mos o lago chegámos então ás pista de ski, que ficam perto da torre.
Já com algum cansaço acumulado ainda tivemos que andar um bom bocado para alcançarmos finalmente aquele local.


As lojas já estavam a fechar quando chegámos, mas ainda houve tempo para comer umas sandes de queijo com presunto serrano e beber umas cervejocas, a fim de recuperar as forças perdidas!

Tínhamos assim terminado a primeira parte do passeio, mas a noite caía e seria muito difícil retomar o caminho e dar com o local onde pensávamos acampar. Assim sugeriu-se uma alteração dos planos; ir até Loriga (onde tínhamos um dos carros), petiscar po lá qualquer coisa e ficar a dormir numa Residencial. E apesar dos protestos dos mais duros, foi isso que fizemos!

Em Loriga, já no restaurante, começámos por comer uns caracóis, depois umas morcelas, e finalmente umas febras, tendo tudo terminado com o inevitável requeijão com doce de abóbora.

Terminada a refeição, alguns de nós ainda fizeram um pequeno passeio nocturno por esta vila, tendo como cicerone a Maria Jesus!
Quando chegámos do passeio, já muito cansados, descobrimos que a porta da Residencial já estava fechada!
Tivemos então que acordar o Guilherme que já dormia há uma hora, a fim de nos abrir a porta. Ele lá o fez mas rogou-nos umas quantas pragas...
Tudo acabou bem, no entanto !

 

2º Dia (Domingo)

Depois de uma alvorada já um pouco tardia, tomamos o pequeno almoço e como o calor já apertava, decidimos ir ao banho algures numa praia fluvial, para ganhar apetite para o almoço.

Visitámos primeiro a praia fluvial de Loriga, muito bonita mas com pouca água.
Aqui pudemos assistir a uma boa acção da Maria João, ao salvar uma borboleta que tinha caído à água e se debatia desesperadamente...

Todos aplaudimos quando a borboleta, após secar as asas depois de uns instantes ao sol, voou para a liberdade!

Fomos então á procura de outra praia fluvial que tivesse mais agua. Encontramo-la em Alvoco da Serra.

Mas na realidade a dita "praia" mais não era que um recanto protegido da Ribeira de Alvoco, pertencente a uma casa de turismo regional.

De qualquer modo isso não nos impediu de tomar umas banhocas nas águas geladas desta ribeira! Realmente custou a entrar mas depois a agua soube muito bem!

E foi desta forma que ganhámos coragem e apetite para ir até ao restaurante "Albertino" em Folgozinho, para degustar uma maratona gastronómica de 5 pratos diferentes:

-   Coelho, Javali, Vitela, Leitão e Cabrito, mais umas magníficas entradas e sobremesas,tudo por, imaginem ... 11 euros.  E esta, heim !!!

Após a refeição todos nós - com excpção do Manuel - fomos fazer um pequeno percurso pedestre para "desmoer" o almoço.

A caminhada decorreu sempre sob a ameaça de uma chuvada, o que veio realmente a concretizar-se já na parte final do passeio.

Regressámos então aos carros e despedimo-nos desta bela Serra, rumo às nossas casas...

Para concluir, diria que o passeio dos duros, devido à falta de tempo e não por nossa vontade, foi um pouco amolecido ou, se quiserem, um pouco aburguesado.

No entanto devo referir que no primeiro dia, o percurso pedestre foi duro mas foi também um dos mais lindos que já fizemos, sempre com uma paisagem espectacular de montanha.
Também no segundo dia, o banho na ribeira acordaria um morto, o qual voltaria certamente a sucumbir depois daquela mega-almoçarada...

 

 Saudações radicais

         António Campos

 

 

 

(Texto de António Campos, adaptado por Paulo Mazzetti)