Aventuras no Gerês 2006

Organização:  OBETA

Quando:  25 a 28 de Fevereiro de 2006

Relatório:

Caros amigos:

 

Conforme já se tornou tradição, aproveitando o fim de semana prolongado de Carnaval, enquanto a maioria das pessoas ficaram em casa junto ás lareiras ou foram até ao Algarve apanhar sol, nós partimos para grandes aventuras, desta vez na Serra do Gerês, onde já tínhamos estado em 2004, mas então mais para o lado da Serra da Peneda.

O objectivo deste Carnaval radical consistia em fazer 2 passeios pedestres, 2 passeios de bicicleta e um passeio de canoagem, desafiando o frio e as duras condições da Serra e ficando a conhecer melhor o nosso único Parque Nacional.

 

1º dia (Sábado)

De manhãzinha bem cedo, o Paulo Mazzetti e a Paula, o Orlando e a Maria João, o Jacinto e a Olga, o Manuel e o seu filhote (o Manuel João), o Carlos Mazzetti, a Regina e a sua filhota, eu, a Maria de Jesus e a Sara, partimos todos rumo à Quinta do Passal, situada a 6 Km de Arcos de Valdevez, a qual seria o nosso centro de operações nestes 4 dias.

Encontrámo-nos todos para almoçar num restaurante nesta vila, após o que fomos á Quinta descarregar os carros, muito cheios com as bicicletas, o equipamento para as várias actividades e as bagagens, tendo dado início já muito tarde, a nossa primeira actividade

Começou em Parada perto do Lindoso, já era noite cerrada. Percorremos o casario dessa pequena aldeia, ligámos as lanternas e iniciámos uma longa subida carregadinha de bostas no caminho, que afligiram especialmente o Manuel João, justificadamente preocupado, tal era a grandeza de algumas delas.


O céu estava cheio de estrelas e até avistámos uma estrela cadente!
Seguidamente e sempre a subir, passámos por um trilho cheio de poças de água, e é claro houve quem metesse o pé na poça. No entanto, e apesar do frio intenso que se fazia sentir, o pessoal estava muito bem disposto e sucediam-se as piadas e imitações de grunhos dos mais variados animais.


Finalmente, passámos um pequeno muro e atingimos o objectivo deste passeio, um rochedo com uma queda de água intensa e barulhenta. Depois foi o regresso pelo mesmo caminho.

 

2º dia (Domingo)

A alvorada foi bem cedo, mas o pequeno-almoço algo demorado, após o que partimos para o nosso 2º percurso pedestre.
Depois do que nos pareceu, horas e horas a andar de carro, avistámos as montanhas para onde nos dirigíamos e ficámos maravilhados e muito emocionados pois havia muita neve.
Passámos pelo lado espanhol (o Xurês) para depois voltar a Portugal, a uma pequena mas muito bonita aldeia (Tourém). Mas logo a seguir tivemos que parar pois a estrada estava bloqueada pela neve.
Saímos dos carros, com um frio de rachar (estavam zero graus) e caminhámos um pouco pela neve (em especial a Maria João, tal cabrita montanhesa), mas as pernas enterravam-se até aos joelhos e não havia condições de segurança para fazer o passeio planeado.

Assim decidiu-se fazer um passeio mais pequeno, já por volta das 17.00 horas, na Serra Amarela, não muito longe de Paradela.

Tenho que destacar o Carlos, que carregava corajosamente a sua filha Margarida ás costas.

Começámos por caminho normal, mas em breve o trilho foi-se desvanecendo, e guiados pelos GPS do Paulo e do Orlando, começamos a subir a montanha a pique, através de moitas e pedregulhos, até que, quando julgámos que tínhamos atingido o topo que havíamos avistado, verificámos que a montanha continuava mais atrás a subir.
Subimos, subimos, e este episódio repetiu-se uma e outra vez! Nunca mais atingíamos o topo de onde avistaríamos o trilho e umas aldeias.
O Jacinto era o nosso batedor, indo muito lá à frente, mas nem sempre conseguimos ouvir as suas indicações.

Estava a ser muito duro especialmente para o Carlos, claro.

O pessoal estava muito cansado, mas apelávamos constantemente para que não parassem para que fosse possível chegar ao final do passeio antes do anoitecer.
Finalmente atingimos o topo, descobrimos o trilho, mas a noite caia rapidamente. Ligámos então as lanternas (quem as tinha...) mas - pelo menos para os menos ousados - foi mesmo assim angustiante a descida que tivemos de fazer por um caminho escorregadio, escavado no leito de uma ribeira, cheio de pedras e com água a correr!

Mas felizmente tudo correu bem e não se registaram acidentes!

Decididos a abreviar o passeio, chegámos à aldeia de Portuzelo. Aí conhecemos um senhor muito simpático que nos concedeu abrigo na garagem das sua casa, enquanto esperavamos por um taxi que havia de levar os condutores ao local onde tinhamos deixado as viaturas, no inicio do passeio.
Durante a espera o nosso amigo Jacinto quase que convencia o referido senhor a comprar um novo tractor, do grupo Fiat, claro!
Após a recolha das viaturas e regresso ao Portuzelo para apanhar as restantes pessoas, regressamos á nossa base; a quinta do Passal.

 

3º dia (Segunda)

Para este dia estava marcado um passeio de Canoagem no Rio Lima, entre Ponte da Barca e S.Martinho de Gandra, organizado pelos Cavaleiros do Mar.
Tivemos muita sorte pois o tempo estava espectacular! Um dia de calor, com alguns a não aguentarem os fatos de neoprene.

Agrupámo-nos em pares, pois os kayacs eram bilugar e seguimos os nossos monitores, descendo o rio através de pequenos rápidos que deram muita emoção ao passeio.
A certa altura chegámos a um açude que a maioria contornou por terra, mas o Paulo insistiu em descê-lo juntamente com o Jacinto, tendo-se saído muito bem!
Na sua esteira seguiram-se mais duas equipas que também não quiseram perder a oportunidade de ter mais um pouco de adrenalina!

O rio tinha muita vegetação e avistámos muitas garças, o que tornou o passeio muito agradável. Tudo correu bem, embora a parelha Paula Afonso/Maria de Jesus, tenha ido ao banho uma ou duas vezes.

No final, havia um rápido muito longo que culminava numa onda que nos fez subir a adrenalina no sangue! Aqui foi a vez do par Orlando/Maria João provar a água, mas todos gostámos muito do passeio, tendo a canoagem ganho mais uns adeptos!

Já quase ao anoitecer - por causa de sucessivos atrasos - fizemos um passeio de BTT (Bicicleta-Todo-o-Terreno), junto á Barragem de Vilarinho das Furnas.
Procurávamos uma via romana, mas acabamos por nos dispersar! O Paulo contornou parte da Barragem, a Olga e o Manuel João descobriram uma queda de água, e eu, o Jacinto e o Carlos fizemos o caminho mais duro; uma longa subida por um caminho de terra batida até á Mata da Albergaria!
A certa altura, já noite, cruzámo-nos com um carro da GNR, e temi o pior - ainda íamos "dentro" por estar a andar na estrada sem luzes! No entanto eles não pararam, e nós também não !
Por fim, encontrámo-nos todos junto aos carros estacionados e regressámos à Quinta.

 

4º dia (Terça)

Devido ao grande atraso acumulado e á incerteza quanto ao estado da ecovia (suspeitava-se de estar a servir de depósito de lixo), acabou por ser cancelado o passeio na ciclovia, Fafe-Guimarães.
Eu vim-me embora logo de seguida mas o resto do grupo foi ainda fazer um passeio de carro pela Serra do Grijó, a norte de Ponte de Lima, sempre por estradas secundárias, tendo tudo corrido bem.
No final houve uma almoçarada num testaurante tipico em Ponte de Lima, com direito a musica ao vivo e bailarico !

 

Conclusão

Mais uma vez o nosso Carnaval radical, pôs à prova os nossos limites, tendo nós perante o cansaço, o frio intenso e os muitos obstáculos, mostrado a nossa determinação e a nossa coragem, nesta lindíssima Serra do Gerês, ora caminhando, ora pedalando, ora remando.
Embora o nosso programa tenha sofrido alguns imprevistos e muitos atrasos, na nossa memória ficarão para sempre momentos inesquecíveis, dos pequenos perigos por que passámos, da beleza que presenciámos e sobretudo, da amizade que cimentámos.

 Saudações radicais,

   António Campos

 

 

 

(Texto de António Campos, adaptado por Paulo Mazzetti)